Com mão de ferro, deputado lidera grupo derrotado

JUCURUTU (RN) - O resultado da eleição em Jucurutu, confirmando a queda de uma oligarquia pela força popular de um motorista e um gari, projetou a pequena cidade potiguar na mídia nacional. “Nunca imaginei ganhar tamanha notabilidade”, admite o prefeito eleito. Pai do prefeito derrotado e líder do grupo, o deputado Nélter Queiroz (PMDB) sumiu do município após a eleição, mas seu desabafo em discurso na Assembleia viralizou nas redes sociais.

Nélter vocifera contra os eleitores que não garantiram a vitória do seu filho: “Pode ficar certo. Quem votou contra George, não me procure mais. Não preciso do seu voto. Depois não, eu voto em você. Comigo não. Vá pra lá (sic)”, disse ele, segundo consta nos arquivos da Assembleia. Numa demonstração de que subestimou a força de uma chapa popular, o deputado chegou a anunciar que renunciaria ao mandato caso o seu filho perdesse a eleição para um motorista.

A ameaça, em tom contundente, teria sido feita em discurso na comunidade de Campo Redondo, conforme é possível ouvir o áudio pelas redes sociais. Nélter foi denunciado, ao longo da campanha, de fazer declarações em palanque que configuraram compra de voto. “Nós só vamos ajudar quem votar em George”, afirmou, segundo consta em registro de consulta na internet.

Valdir não derrotou um grupo qualquer. Funcionário aposentado do Senado Federal, Nélter Queiroz foi prefeito de Jucurutu entre 1983 e 1988, e em 1990 foi eleito para seu primeiro mandato como deputado estadual. Nos anos de 1990, licenciou-se de seu mandato parlamentar para atuar como secretário para Assuntos Parlamentares da Prefeitura Municipal do Natal.  Nas eleições de 2014, foi reeleito com 51.773 votos para seu sétimo mandato consecutivo.

Integrante do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) desde outubro de 2001, Queiroz também já teve passagens pelo Partido da Frente Liberal (PFL) e Partido Liberal (PL). No Estado, é ligado, politicamente, ao senador Garibaldi Alves e ao ex-presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, exercendo forte influência também com o governador Robinson Faria (PSD).

História 

Os índios da tribo Jucurutu, supostamente descendentes das tribos Canindés e Janduís, foram os primeiros habitantes da região. A povoação chamada Saco dos Jucurutus surgiu a partir dos aldeamentos desses nativos e da construção de uma capela construída por Antônio Batista dos Santos em homenagem a São Sebastião.

Devido a existência de uma propriedade rural de grande importância na região, a Fazenda São Miguel, a povoação passou a ser conhecida como São Miguel de Jucurutu e o pequeno povoado foi se desenvolvendo gradativamente. Em relatório escrito ao governador Pedro Velho, em junho de 1894, Alberto Maranhão informou que o povoado de São Miguel de Jucurutu, localizado à margem do rio Piranhas, tinha uma igreja, um cemitério, cerca de trinta residências particulares e escola pública para moradores do sexo masculino.

Em 11 de outubro de 1935, pela Lei número 932, São Miguel de Jucurutu teve suas terras desmembradas de Campo Grande, Santana do Matos e Caicó para ser elevado à condição de município. Três anos depois, em 31 de outubro de 1938, o decreto número 603 simplificou o nome do município para Jucurutu.

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