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Mantega garante reajuste de preços de combustíveis nas bombas

          Depois de ouvir um emocionado relato da presidente da Petrobrás, Graça Foster, antes da divulgação do prejuízo de R$ 1,3 bilhão no segundo trimestre, na última sexta-feira, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, garantiu ao comando da companhia que haverá reajuste de preço de combustíveis nas bombas, segundo fonte da Agência Estado.

          A sinalização de Mantega mostra uma mudança de disposição por parte do Governo - controlador e sócio majoritário da companhia - que há nove anos não autoriza reajustes de combustíveis com impacto para a inflação. Os últimos aumentos foram compensados com a redução da Cide, agora zerada.

          Segundo a fonte, a executiva se viu obrigada a conter o choro ao reportar ao Conselho de Administração o primeiro prejuízo trimestral da companhia em 13 anos. O resultado de abril a junho foi o primeiro integralmente sob a gestão da nova presidente, que assumiu o cargo em fevereiro.

          O ministro encerrou a discussão, na última sexta-feira, com a promessa de um reajuste à diretoria, embora sem dar qualquer detalhe. Não foram discutidos na reunião porcentuais ou data. Aos interlocutores, Mantega deixou subentendido que um possível reajuste não seria imediato. O Governo terá de estudar o melhor momento para lançar mão da medida para diesel, gasolina ou para ambos.

          O ministro Mantega é presidente do conselho de administração da Petrobrás. Na segunda-feira, três dias após a divulgação do prejuízo, Graça fez questão de participar das conferências, para comentar o resultado, normalmente coordenadas pelo diretor financeiro.

          Importação - No evento, o diretor de Abastecimento, José Carlos Cosenza, informou que a importação de diesel e gasolina tem representado um custo extra de cerca de US$ 3 bilhões por trimestre. A companhia supre a demanda crescente com importação de combustíveis no exterior a preços mais altos do que os internos.

          A Petrobrás mantém uma política de preços de longo prazo, com a justificativa de não repassar a volatilidade das commodities no exterior ao mercado interno. No entanto, não há regra clara sobre o período máximo no qual a paridade de preços seria efetivada.

          Graça luta pela paridade de preços, defasados desde janeiro de 2011. A Petrobrás não informa seus cálculos, mas o Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) estipula a diferença em 24,5% para diesel e 23,1% para gasolina, mesmo após os últimos reajustes.

          Depois do resultado trimestral decepcionante da companhia, o Governo também começou a ser cobrado por representantes de acionistas sobre o estabelecimento de um período definido para ajuste da política de preços ao mercado internacional.

          Uma das propostas apresentadas a Mantega para tentar minimizar o impacto na inflação seria aproveitar o pacote que o Governo prepara para o setor de energia e combiná-lo com um eventual reajuste de combustíveis.

          O Governo, no entanto, também estaria apostando numa redução do preço do barril de petróleo no mercado internacional nos próximos meses antes de avaliar um reajuste nas bombas, segundo fontes. Hoje, o Brent é negociado a US$ 111. A Petrobrás trabalha com uma referência na casa de US$ 96.

          Outra forma em discussão para reduzir os custos com a defasagem é o aumento do porcentual da mistura de etanol à gasolina de 20% para 25%. Segundo uma fonte, a mudança possibilitaria uma redução da importação de gasolina na casa dos 50 mil barris por dia (B/d). Para o CBIE, a importação de gasolina seria de cerca de 32 mil b/d, contra 71 mil na média de janeiro a maio de 2012. Isso representaria uma redução de cerca de 55% na média mensal importada.

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