Dilma e o cargo: "Nunca mais vou fazer isso"

Reeleita, Dilma é cumprimentada por Lula

Folha de S.Paulo

Caso seu afastamento definitivo seja confirmado nesta semana, Dilma quer deixar o Alvorada o mais rápido possível e voltar a Porto Alegre. Seu apartamento fica em um prédio antigo, daqueles com ambientes amplos, em um bairro de classe média alta da cidade. É ali que pretende descansar por um tempo.

Amigos apostam que Dilma deve participar de atos organizados por movimentos sociais, pode dar aula, mas não militará no PT, partido com o qual esteve às turras até a reta final do processo.

Ela também já esboçou vontade de escrever um livro e nele poderia lembrar de outro momento que, assim como no do julgamento do impeachment, foi tomada pela agonia que acabou em alívio.

Em 26 de outubro de 2014, segundo turno das eleições presidenciais, Dilma reuniu aliados na biblioteca do Alvorada.

Regados a uísque, água de coco e suco de caju, petistas assistiam apreensivos à apuração acirrada de votos pela TV.

Michel Temer, hoje presidente interino e ali candidato a vice na chapa da petista, estava sentado com a mulher, Marcela, no sofá preto, longe dos outros.

Quando sua reeleição finalmente foi anunciada, Dilma abraçou Lula, seu antecessor e padrinho político, e soltou aquele que pareceu aos presentes o seu maior suspiro: "Eu nunca mais vou fazer isso".

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