Ao cardápio de medos, o governo acrescenta o de vaias

Está no contracheque de todo homem público o risco de ser vaiado. Nada mais natural que seja. Ninguém é unanimidade. E a unanimidade costuma ser burra, como disse o escritor Nelson Rodrigues.

Não há registro de um único homem público que não tenha sido vaiado. Até Jesus Cristo foi quando o povo escolheu crucificá-lo e libertar Barrabaz, o ladrão.

No auge de sua popularidade, Lula foi vaiado no Maracanã. Antes de ser reeleita, Dilma também foi, e ouviu pesados insultos. Até que foi rápida e pequena a vaia que Temer levou na abertura dos Jogos Olímpicos.

Então por que deixar de comparecer no próximo domingo à cerimônia de encerramento dos jogos? É o que Temer pretende fazer a qualquer pretexto ou sem nenhum.

O primeiro-ministro do Japão estará no Maracanã. Bem como outros chefes de Estado. Seria obrigação de Temer recebê-los como anfitrião. E  como anfitrião, mesmo que à distância, despedir-se dos atletas.

Vaia alguma subtrairá um só voto para aprovar o impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff. Recear vaias é levar-se em alta conta. É também sinal de uma vaidade excessiva

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