Nos limites da cidade costeira de Tacloban (220.000 habitantes), uma das mais atingidas, localizada na ilha de Leyte, bairros inteiros foram destruídos por ondas gigantescas e por ventos que ultrapassaram os 300 km/h.
Edward Gualberto, um dos moradores do local, se equilibrava sobre cadáveres para vasculhar os escombros de uma casa que desabou. Vestido somente com uma calça vermelha, o pai de quatro crianças e conselheiro local do município pede desculpas por sua aparência e por suas ações. “Eu sou uma pessoa decente. Mas se você não come nada há três dias, é capaz de fazer coisas horríveis para sobreviver”, disse Gualberto, enquanto pegava potes de conserva, em meio às moscas que sobrevoavam os corpos. “Nós não temos nada para comer. Precisamos de água e de outras coisas para sobreviver.”
Após meio dia de buscas, Gualberto tinha nas mãos pacotes de macarrão, latas de cerveja, potes de conservas, biscoitos e balas, além de sabão. “Esse tufão levou toda nossa dignidade. Mas eu ainda tenho minha família e sou muito agradecido por isso”, declara.
Saques — Em outras partes da cidade, sobreviventes adotaram estratégias de vida mais agressivas, aproveitando-se da ausência das forças policiais, que quase desapareceram desde a passagem do tufão. Assim como Edward Gualberto, eles dizem não ter comido nada em três dias. As autoridades admitiram sua incapacidade de levar ajuda a quem precisa. Alguns moradores quebraram as poucas vitrines que resistiram aos fortes ventos ou destruíram as grades de proteção de algumas lojas.
Fonte: VEJA
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