O fechamento do contrato aconteceu pouco mais de um mês depois que a coluna Radar, de VEJA,divulgou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tinha assumido a missão de conseguir um patrocínio para seu clube do coração. Lula, que já teve participação direta e decisiva na negociação que culminou com a construção do Itaquerão, futuro estádio corintiano, é um dos corintianos satisfeitos com o anúncio desta terça. Assim como já havia ocorrido com o Vasco – que recebeu a ajuda do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho, vascaíno, para conseguir o patrocínio de outra estatal, a Eletrobras -, o Corinthians fechou um negócio que certamente provocará queixas dos rivais. O Flamengo, time de maior torcida do país – e que por muito tempo foi patrocinado pela Petrobras – está fechando o ano sem nenhuma marca estampada na áreas nobres de sua camisa. Depois do Itaquerão, a equipe paulista é vista como beneficiária – mais uma vez – das ligações políticas de seus principais dirigentes. O ex-presidente do clube, Andrés Sanchez, é filiado ao PT e amigo de Lula. Há algumas semanas, os principais dirigentes corintianos foram recebidos pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, para discutir o repasse de valores prometidos pelo BNDES à Odebrecht, que realiza as obras do Itaquerão. Os cartolas negam ter pedido patrocínio ao clube durante o encontro. O time estava sem um parceiro fixo havia sete meses.
“Não foi o Corinthians que procurou a Caixa, mas sim a Caixa que procurou o Corinthians”, garantiu o presidente Mário Gobbi em entrevista coletiva realizada nesta terça. Falando em tom exaltado, o cartola se gabou pelo acerto (“é o maior patrocínio do futebol brasileiro, isso não se compra na esquina”) e comentou, indiretamente, as suspeitas sobre a interferência de Lula e de outros petistas na negociação. “Essa parceria não tem pai e nem mãe. A parceria quem conseguiu foi o Corinthians. Não tem varinha mágica. O Corinthians trouxe o parceiro pela força do Corinthians. Que isso fique muito claro.” Ainda que a Caixa tenha sido a responsável pelo início das negociações, e mesmo que o negócio seja positivo para a instituição – o que, pela grande exposição da marca na camisa do clube, é bastante provável – o negócio certamente será alvo de críticas de outros clubes. Ao mesmo tempo em que caçava um novo patrocinador desde o fim de seu contrato com a Hypermarcas, o Corinthians trabalhava em outra frente: a obtenção de um contrato de naming rights para o Itaquerão. Em mais de uma ocasião, procurou a Petrobras para tentar convencer a empresa a emprestar seu nome à futura arena. Por enquanto, a companhia sinaliza não ter interesse no negócio.

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