Assembleia ocorreu na sede do Sinpol, no Recife, nesta segunda-feira (06). Fora os plantões, só trabalharão agentes responsáveis pela guarda dos prédios.
Em nova assembleia, na noite desta segunda-feira (06), policiais civis de Pernambuco decidiram manter a greve, decretada no último dia 23 de julho. A reunião ocorreu na sede do sindicato, no Recife, e contou com cerca de 350 servidores. Além de continuar com a mobilização, a categoria decidiu "esvaziar" as delegacias, ou seja, o livro de ponto será assinado agora no prédio do Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco (Sinpol-PE). A partir desta terça-feira (07), só ficam nas delegacias os agentes de permanência, responsáveis pela guarda dos prédios.
O presidente do Sinpol, Cláudio Marinho, disse que recebeu, nesta segunda-feira, um ofício do secretário estadual de Administração, Ricardo Dantas. "O ofício mostra a disposição do Governo para tratar apenas de questões de ordem administrava, como carga horária, vale refeição, recuperação das delegacias, renovação dos coletes à prova de balas, questões que não têm nenhuma repercussão financeira. O documento descarta a esperança sobre uma discussão em relação aos nossos salários", disse.
Os grevistas reivindicam correção da diferença salarial entre policiais em final de carreira e delegados em início de carreira (de 65%), melhoria nas condições de trabalho, redução da carga horária excessiva, fim do programa jornada extra, entre outros.
Enquanto isso, os serviços policiais continuam reduzidos. Só estão funcionando os plantões de Casa Amarela e Boa Viagem, na capital, e de Paulista, no Grande Recife. A emissão de boletins de ocorrência está suspensa, sendo possível apenas através da Delegacia Virtual - mas para alguns tipos de crimes, somente. O Instituto de Criminalística e o Instituto Médico Legal estão funcionando normalmente. No Instituto de Identificação Tavares Buril, 30% do serviço está sendo mantido.
Manifestações - Na última sexta-feira (03), os policiais civis fizeram um "bandeiraço" na Avenida Agamenon Magalhães, no Recife, quando também entregaram informativo com pauta da greve para a população. Dois dias antes, os servidores realizaram uma passeata na mesma via, em direção ao Centro de Convenções, em Olinda, onde está a sede provisória do Governo do Estado.
A manifestação aconteceu de forma pacífica, apesar da determinação do desembargador do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), Sílvio de Arruda Beltrão, para impedir a sua realização. O magistrado é o mesmo que decretou a greve ilegal, determinando a retomada imediata de todos os serviços inerentes à função policial.
De acordo com a Chefia da Polícia Civil, o Governo do Estado, através das Secretarias de Defesa Social e de Administração, já vinha cumprindo todos os acordos fechados com o Sinpol, inclusive com o anúncio do aumento no valor do programa Jornada Extra, uma das reivindicações do movimento. Por conta do decreto de ilegalidade da greve, a Chefia informou que as faltas serão descontadas no salário. Se o policial passar mais de 30 dias sem retornar ao trabalho, será aberto um procedimento para a demissão do servidor.
Ilegalidade da greve - O Governo de Pernambuco, por meio da Procuradoria Geral do estado, tentou mais uma medida para terminar com a greve dos Policiais Civis, na última sexta-feira (3). O órgão enviou uma solicitação ao Tribunal de Justiça (TJPE), pedindo o aumento da multa diária de R$ 20 mil para R$ 50 mil ao Sinpol/PE (Sindicato dos Policiais de Pernambuco) e a retenção e repasse dos valores acumulados desta multa ao governo, em razão do descumprimento da ordem judicial que obriga os policiais a encerrar a greve.
A paralisação já dura 14 dias. No dia 23 de julho, mesmo dia em que a greve foi iniciada, o TJPE decretou a ilegalidade da paralisação. O valor do acúmulo das multas deve ser retirado de uma contribuição sindical que os agentes repassam todo mês do Sindicato dos Policiais (Sinpol/PE) ao Governo do Estado.

Nenhum comentário:
Postar um comentário